28/11/2025 17h27 · Atualizado há 4 meses

O projeto Circo nas Ruas, da artista Max Farias, foi reconhecido financeiramente com recursos do Prêmio Elisabete Anderle de Incentivo à Cultura. Edital estadual que promove iniciativas culturais, e conta com a parceria de pontos culturais locais.

O projeto surgiu por meio de uma oficina da Produtora Gaveta Criativa e continuou sendo realizado e apoiado por ela, a oficina aconteceu na Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e buscava desenvolver de forma gratuita projetos artísticos e culturais.

Em Criciúma os pontos cultirais participantes são: A Casa do Hip Hop Flor e Ser e o projeto Nunca Pare de Sonhar.

Com anos de dedicação como artista independente, Max Farias, artista circense e instrutora de acrobacia, é a criadora do movimento que busca levar para a população em formato de oficinas a arte da palhaçaria e acrobacias com tecido.

Segundo ela, a inspiração para tirar a ideia do papel veio de anos acompanhando referências de circo social, artístico e independentes no Brasil e na América Latina.

“Eu acompanhava esses movimentos e percebia que quase não havia iniciativas parecidas aqui na região. A ideia surgiu dessa vontade de trazer para Criciúma um pouquinho dessa arte na qual eu sempre fui apaixonada.”

A arte do circo na prática

Com oficinas introdutórias e totalmente abertas ao público, Max destaca que o principal objetivo do projeto é apresentar a arte circense de maneira acessível e dinâmica para pessoas que talvez nunca tivessem tido contato com ela.

Ao todo são realizados oito encontros por turmas, e o último da edição de 2025 aconteceu 18/11, no bairro Renascer. Durante as oficinas, todos podem experimentar um pouquinho de tudo e experienciar como artistas de circo vivem por trás dos bastidores de toda apresentação.

“Os alunos chegam imaginando que tudo é muito difícil ou inacessível, mas descobrem que o circo abraça todos com suas individualidades. Tem quem se identifique com a palhaçaria ou quem enfrente o medo da altura na acrobacia. A ideia não é formar profissionais, e sim abrir portas para a experiência artística e gerar interesse”, explica.

Foto: Max Farias

Ao falar sobre relatos que marcaram sua trajetória dentro do projeto, Max se emociona ao lembrar de dois participantes que chegaram receosos por conta de rotinas intensas, Trabalho de Conclusão em curso (TCC) em produção, trabalho e pouco tempo disponível.

“Eles disseram que as oficinas se tornaram o momento da semana em que conseguiam respirar, relaxar e esquecer das responsabilidades. Saber que algo que criei proporcionou isso é muito significativo.”

Um local de acolhimento

Definir um público alvo para o projeto é, para Max, quase impossível e isso é exatamente o que torna o circo tão especial e único.

“O circo é esse lugar de pluralidade, onde todas as habilidades, todas as personalidades e todas as diferenças têm valor. Não existe um perfil ideal, qualquer pessoa, de qualquer idade, pode participar. O circo não discrimina, o circo acolhe.”

Ela ainda ressalta que, historicamente, o circo sempre foi um espaço para quem não se encaixava nos padrões sociais e que essa essência permanece viva.

“Até o erro tem valor dentro do circo. O palhaço é a prova disso. É lindo ver as pessoas descobrindo essa liberdade.”

O nascimento de uma artista e de um movimento

Embora sempre tenha sido “arteira”, como ela mesma se refere, Max só começou a enxergar a arte como profissão recentemente, quando ingressou no curso de Artes na Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc). O mesmo ano marcou o início do Circo nas Ruas.

“Eu percebi que poderia viver disso, que era uma possibilidade real. O projeto também representa esse meu sentimento de afirmação enquanto artista”, pontua Max.

Ao definir tudo o que viveu desde o início do projeto até sua execução final, Max escolhe uma palavra: acreditar.

“Eu inscrevi o projeto no edital quase sem acreditar que ele pudesse ser aprovado. Era uma vaga só para o Sul de Santa Catarina, era muito concorrido. Mas deu certo. E eu tentei levar essa mensagem durante todo o processo: acreditem no próprio potencial. Acreditem nos sonhos, no que vocês amam. Acreditar move tudo.”

Como participar

Nesta primeira edição, não houve necessidade de inscrição formal, bastava comparecer no local e participar, respeitando o limite de vagas. Max afirma que, nas próximas edições, pode haver algum tipo de inscrição, dependendo da organização. Para acompanhar novas datas e oficinas, as redes sociais do projeto serão o principal meio de divulgação.

Enquanto isso, a artista segue envolvida com a cena cultural, dando oficinas, participando de eventos e ampliando seu conhecimento artístico, sempre com o mesmo propósito que deu origem ao Circo nas Ruas: levar a arte para onde ela ainda não chegou e mostrar que o circo é para todos.

Para mais informações clique aqui.

Por Amanda Souza, acadêmica da 3ª fase do curso de Jornalismo da UniSatc.

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