25/10/2025 12h57 · Atualizado há 5 meses

Em dezembro de 2023, o governo federal apresentou o Plano Ruas Visíveis. Anunciado como um marco no enfrentamento da miséria urbana, o programa previa cerca de R$ 1 bilhão em investimentos e a articulação de 11 ministérios em torno de sete eixos, que iam da assistência social e segurança alimentar à habitação, saúde, trabalho e renda. O objetivo era diminuir o número de moradores de rua no país.

A proposta incluía a ampliação de serviços de acolhimento, a criação de cozinhas solidárias, o fortalecimento do atendimento de saúde, a construção de unidades habitacionais e a realização de um censo nacional dessa população. A iniciativa envolveu governos estaduais e municipais, além de representantes do Judiciário, do Legislativo, de movimentos sociais e da sociedade civil.

O boom de moradores de rua

Apesar da promessa e da mobilização, o contingente de brasileiros que vivem nas ruas aumentou significativamente. Segundo dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), eram cerca de 160 mil moradores de rua no momento do anúncio do plano. Em 2025, o número chegou a 345 mil – um aumento superior a 100% em pouco mais de um ano.

Mas esse crescimento não é homogêneo. O Sudeste concentra mais de 60% dessa população, enquanto o Norte responde por menos de 5%. A capital paulista, sozinha, abriga cerca de 100 mil pessoas, mais que o triplo do registrado há uma década.

Estados com mais moradores de rua (2025)

1º – São Paulo – 146.940
2º – Rio de Janeiro – 31.693
3º – Minas Gerais – 31.410
4º – Bahia – 15.045
5º – Paraná – 13.854

Fonte: Observatório UFMG, 2025

Morador de rua na Praça do Patriarca, perto do Viaduto do Chá - 3/8/2022 || Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

O perfil demográfico mostra que aproximadamente 85% dos moradores de rua são homens. Ao todo, 70% são negros. Quase 10 mil pessoas têm menos de 17 anos e 32 mil são idosos com mais de 60 anos. Segundo o levantamento, a maioria deles não está em abrigos: dormem em calçadas, praças, viadutos ou ocupações improvisadas.

A UFMG e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) atribuem o aumento a um conjunto de fatores:

  • Crise econômica e inflação, o que inclui perda de empregos e renda;
  • Déficit habitacional, com insuficiência de moradias populares;
  • Desmonte e demora na execução de políticas sociais; e
  • Saída da pandemia: agravamento da miséria e do desemprego informal.

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