O Canal Criciúma teve acesso, com exclusividade, a prints de um grupo de WhatsApp do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Criciúma, que reúne cerca de 290 militares, e que indicam que o major da PM Giovanni Fagundes dos Santos buscou informações sobre Rhuan Felicidade Clarinda Silva, de 21 anos, conhecido como MC RH, um dia antes de policiais militares irem até a casa do jovem e, segundo denúncia, o agredirem dentro da própria residência.
De acordo com o material obtido pela reportagem, confirmado por fontes ligadas ao grupo, a solicitação ocorreu na quinta-feira (2), horas após MC RH comentar “Bração” em uma publicação no Instagram que informava sobre a queda de um policial militar durante as fortes chuvas registradas em Criciúma. O acidente ocorreu na Avenida Centenário, nas proximidades do Terminal da Próspera.
Atendendo prontamente ao pedido do major Giovanni — ex-comandante da Companhia de Policiamento e Apoio Especializado (CPAE), que engloba o Tático, a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), o Pelotão de Policiamento Montado (Cavalaria) e o Pelotão de Policiamento com Cães (Canil) — um policial identificado como Felipe Fernandes Generoso teria repassado os dados solicitados ao oficial.
No dia seguinte, após a troca de informações no grupo, Rhuan, o MC RH, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que policiais militares teriam ido até sua casa e o agredido. Segundo ele, durante as agressões, os policiais teriam feito referência ao comentário “Bração”, publicado por ele na postagem sobre o acidente.
Horas após o Canal Criciúma divulgar o vídeo com as denúncias de MC RH, os prints enviados pelo major no grupo policial teriam sido apagados, segundo fontes do grupo.
O Canal Criciúma tentou contato com o major Giovanni e com a Polícia Militar (PM) em busca de esclarecimentos, mas não houve retorno até o fechamento da matéria.
Caso deverá ser levado à Corregedoria da PM
No início da noite, Rhuan voltou a se manifestar em seu Instagram, informando que havia registrado um boletim de ocorrência contra a PM. A manifestação de RH ocorreu em meio a pronunciamentos de sua mãe, que saiu em defesa do filho. No vídeo de esclarecimento, ele relata que estava em casa quando alguém bateu à porta. Segundo ele, ao atender, se deparou com policiais já dentro da propriedade.
Rhuan afirmou que, além das agressões, também teria sido “convidado” a deixar a residência onde vive.
Mãe de MC se pronuncia após caso envolvendo o filho
A psicóloga e professora pedagoga Dulcinéia Felicidade Clarinda, se pronunciou nas redes sociais após policiais militares serem acusados de ir até a casa de seu filho e agredi-lo.
Dulcinéia, que mora próximo ao filho, relatou que soube da movimentação atípica de policiais na residência de Rhuan por meio de uma vizinha.
Durante o pronunciamento, a professora afirmou que, se o filho tivesse feito algo de errado, não estaria defendendo-o. Segundo ela, porém, os policiais não tinham justificativa para estar na casa de Rhuan.
Segundo Dulcinéia, um dos policiais teria afirmado que estavam apenas dando “uma orientação” a Rhuan.
Dulcinéia afirmou ainda que, antes de irem embora, os militares teriam tentado intimidá-los para que o caso não fosse levado à frente.
A versão da PM de Criciúma, segundo o Jornal Razão
Após a divulgação exclusiva das denúncias feitas por MC RH pelo Canal Criciúma, o Jornal Razão (JR), de Tijucas, também repercutiu o caso. Segundo o veículo, a Polícia Militar de Criciúma afirmou que entrou na propriedade porque o “portão da residência estava totalmente aberto” e devido ao “histórico criminal do abordado”.
Confira, a seguir, o trecho divulgado pelo JR com base na manifestação da PM, segundo publicação do próprio veículo.
Até a publicação desta matéria, o Canal Criciúma não havia recebido posicionamento oficial da Polícia Militar de Criciúma sobre os fatos. Também não há confirmação, até o momento, sobre a lavratura de boletim de ocorrência relacionado ao caso, que teve início no bairro Mina do Toco e terminou com denúncias registradas pela vítima na delegacia de Polícia Civil.
O Canal Criciúma segue acompanhando o caso.



