04/04/2026 16h39 · Atualizado há 3 dias

O Canal Criciúma teve acesso, com exclusividade, a prints de um grupo de WhatsApp do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Criciúma, que reúne cerca de 290 militares, e que indicam que o major da PM Giovanni Fagundes dos Santos buscou informações sobre Rhuan Felicidade Clarinda Silva, de 21 anos, conhecido como MC RH, um dia antes de policiais militares irem até a casa do jovem e, segundo denúncia, o agredirem dentro da própria residência.

De acordo com o material obtido pela reportagem, confirmado por fontes ligadas ao grupo, a solicitação ocorreu na quinta-feira (2), horas após MC RH comentar “Bração” em uma publicação no Instagram que informava sobre a queda de um policial militar durante as fortes chuvas registradas em Criciúma. O acidente ocorreu na Avenida Centenário, nas proximidades do Terminal da Próspera.

Registros de tela indicam solicitação de identificação de Rhuan feita pelo major Giovanni em grupo do 9º BPM, um dia antes da ida de policiais à residência do MC

Atendendo prontamente ao pedido do major Giovanni — ex-comandante da Companhia de Policiamento e Apoio Especializado (CPAE), que engloba o Tático, a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam), o Pelotão de Policiamento Montado (Cavalaria) e o Pelotão de Policiamento com Cães (Canil) — um policial identificado como Felipe Fernandes Generoso teria repassado os dados solicitados ao oficial.

No dia seguinte, após a troca de informações no grupo, Rhuan, o MC RH, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que policiais militares teriam ido até sua casa e o agredido. Segundo ele, durante as agressões, os policiais teriam feito referência ao comentário “Bração”, publicado por ele na postagem sobre o acidente.

“Bando de covardes. Invadiram minha casa aqui e me bateram. Eu tô cheio de sangue aqui. Falaram que vão vir todo dia aqui pra minha casa pra me bater”.

Horas após o Canal Criciúma divulgar o vídeo com as denúncias de MC RH, os prints enviados pelo major no grupo policial teriam sido apagados, segundo fontes do grupo.

O Canal Criciúma tentou contato com o major Giovanni e com a Polícia Militar (PM) em busca de esclarecimentos, mas não houve retorno até o fechamento da matéria.

Caso deverá ser levado à Corregedoria da PM

No início da noite, Rhuan voltou a se manifestar em seu Instagram, informando que havia registrado um boletim de ocorrência contra a PM. A manifestação de RH ocorreu em meio a pronunciamentos de sua mãe, que saiu em defesa do filho. No vídeo de esclarecimento, ele relata que estava em casa quando alguém bateu à porta. Segundo ele, ao atender, se deparou com policiais já dentro da propriedade.

"Quando eu abri já estavam de fuzil na minha cara, em quatro, cinco, sei lá quantos. Daí mandaram eu ir para um canto lá da garagem para poder me bater".

Rhuan afirmou que, além das agressões, também teria sido “convidado” a deixar a residência onde vive.

"Se tu não se mudar daqui nós vamos te matar. É bom tu achar um [outro] canto. E nisso a minha mãe chegou. A minha mãe como mora perto, os vizinhos olharam e alguns ligaram [pra ela]", explicou.

Mãe de MC se pronuncia após caso envolvendo o filho

A psicóloga e professora pedagoga Dulcinéia Felicidade Clarinda, se pronunciou nas redes sociais após policiais militares serem acusados de ir até a casa de seu filho e agredi-lo.

Dulcinéia, que mora próximo ao filho, relatou que soube da movimentação atípica de policiais na residência de Rhuan por meio de uma vizinha.

Durante o pronunciamento, a professora afirmou que, se o filho tivesse feito algo de errado, não estaria defendendo-o. Segundo ela, porém, os policiais não tinham justificativa para estar na casa de Rhuan.

"Hoje foram três viaturas na casa dele e simplesmente invadiram a casa. Começaram dar choque, chute, soco. Aí as vizinhas me chamaram e fui lá, perguntei para o policial o que estava acontecendo".

Segundo Dulcinéia, um dos policiais teria afirmado que estavam apenas dando “uma orientação” a Rhuan.

"Mas por quê? O que que aconteceu? Sabe qual foi a resposta? Eles não tinham respostas. Simplesmente eles não tinham respostas".

Dulcinéia afirmou ainda que, antes de irem embora, os militares teriam tentado intimidá-los para que o caso não fosse levado à frente.

"Se eles estivem certos, eles iriam registrar um boletim de ocorrência e iriam trazer ele pra cá [para a delegacia], né, mas não, nem isso eles fizeram", disse a psicóloga.

A versão da PM de Criciúma, segundo o Jornal Razão

Após a divulgação exclusiva das denúncias feitas por MC RH pelo Canal Criciúma, o Jornal Razão (JR), de Tijucas, também repercutiu o caso. Segundo o veículo, a Polícia Militar de Criciúma afirmou que entrou na propriedade porque o “portão da residência estava totalmente aberto” e devido ao “histórico criminal do abordado”.

Confira, a seguir, o trecho divulgado pelo JR com base na manifestação da PM, segundo publicação do próprio veículo.

Até a publicação desta matéria, o Canal Criciúma não havia recebido posicionamento oficial da Polícia Militar de Criciúma sobre os fatos. Também não há confirmação, até o momento, sobre a lavratura de boletim de ocorrência relacionado ao caso, que teve início no bairro Mina do Toco e terminou com denúncias registradas pela vítima na delegacia de Polícia Civil.

O Canal Criciúma segue acompanhando o caso.

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