Alessandro Denizard Moura, de 33 anos, conhecido nacionalmente como “vendedor sincero”, está sendo acusado de aplicar golpes que podem chegar a quantia de R$ 10 milhões. As vítimas acusam ele de realizar rifas pela internet, se apropriar de dinheiro arrecadado e não entregar os prêmios anunciados.
Em 2017, o vendedor ganhou notoriedade em todo o país por sua sinceridade na hora de anunciar veículos para venda e, por conta disso, somente no Instagram, possui um milhão de seguidores.
Natural de Chapecó, Moura se mudou para Araranguá em 2018, e em 2020, inaugurou a “Sincero Multimarcas”, empresa de revenda de carros. A loja foi fechada em 2023 e, desde então, Moura passou a fazer rifas pelas redes sociais. Devido a ameaças, momentaneamente, o acusado está morando em Balneário Camboriú.
Golpes
Conforme a página TW Investigação Digital, que investiga sorteios realizados pela internet, o influenciador digital teria aplicado, apenas por meio de sorteios online, mais de 25 golpes. Moura estaria vendendo os bilhetes, se apropriando do dinheiro arrecadado e não pagando as pessoas premiadas.
Em setembro de 2024, em uma rifa que prometia sortear R$ 650 mil no “pix”, o ganhador da ação alega que só recebeu R$ 150 mil do “vendedor sincero”.
Após a divulgação do primeiro caso, ainda conforme a TW Investigação Digital, outras vítimas procuraram a empresa para relatar que também foram lesadas por Alessandro.
“Após a divulgação do primeiro caso, começamos a receber uma chuva de ganhadores com o mesmo problema. Ganhadores de valores em dinheiro, carros e motos e até pessoas que venderam veículos para ele rifar. Todos não receberam por completo ou receberam veículos financiados, ou com bloqueio no documento”, disse o responsável pela página.
Moura também é acusado de aplicar golpes na venda de veículos na região de Araranguá, Maracajá e Criciúma.
Em setembro de 2023, logo após encerrar suas atividades empresariais em Araranguá, o “vendedor sincero” cedeu seu nome para abrir uma revenda (sincero motors) de carros às margens da BR-101, em Maracajá. A loja, mesmo ainda ativa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), encontra-se fechada fisicamente.
O Canal Criciúma apurou que Alessandro está sendo investigado pela prática reiterada de estelionato.
Atualmente, o “vendedor sincero” está rifando um veículo VW Golf Variant ano 2015. O valor do bilhete é de 0,03 centavos. Nesse domingo (25), por meio do seu perfil no Instagram, ele anunciou que o sorteio do carro será realizado nesse sábado (31/05), pela loteria federal.
Acusado não respondeu as mensagens
Procurado para se manifestar sobre as acusações, o “vendedor sincero” não respondeu os questionamentos feitos pela reportagem. O espaço segue aberto.
O mesmo ocorreu com a empresa (Sincero Marketing), que gerencia a carreira de Alessandro. Registrada em nome de Rithielli Machado Semprebon, esposa do acusado, ela também foi procurada e não respondeu as mensagens. Depois do contato, realizado via Instagram, Rithielli desativou o seu perfil na plataforma.
O que diz a lei sobre as rifas
Rifas de carro, moto e dinheiro. Tudo isso é proibido no Brasil, segundo o Ministério da Fazenda.
Quem pode fazer sorteios de rifas?
A única forma de sorteio com venda de bilhetes permitida no país é a realizada por entidades beneficentes.
Quem autoriza o sorteio de rifas?
O sorteio de rifas de entidades beneficentes foi autorizado pela Lei 5.768/1971 e regulado pelo Decreto 70.951/1972. A venda de rifas deve ser autorizada pelo Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas.
Como fazer um pedido de autorização de venda de rifas?
A entidade beneficente deve encaminhar o pedido de autorização por meio do Sistema de Controle de Promoções Comerciais (SCPC), um sistema gerenciado pelo Ministério da Fazenda e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). O Ministério ainda reforça que as regras para as organizações sem fins lucrativos precisam apresentar documentação, regulamento do sorteio e pagar uma taxa de autorização.
Quem realiza rifas pela internet pode ser acusado de propagar jogos de azar, crime contra a economia popular e associação criminosa.



